99% dos médicos que realmente trabalham durante a urgência são internos da especialidade, com graus de experiência variáveis e estiveram a receber, questionar, examinar, medicar e confortar doentes impacientes durante as últimas 24h. Por essa razão, às vezes falhamos em perceber pistas diagnósticas, mesmo que os internos sejam grandes crânios.
No hospital onde estou existe um colega interno que tem uma dificuldade óbvia em lidar com o cansaço. Ele costuma dar muitas gaffes (algumas engraçadas, outras simplesmente infelizes) mas na última urgência ele presenteou a equipa com a seguinte pérola durante a passagem de turno:
Interno: "A sra. A é uma viúva de 90 anos (bla bla bla). A senhora diz que o marido não é capaz de tomar conta dela, portanto contactei o apoio social para ter alta ainda hoje."
(silêncio)
Outro interno: "Mas a senhora não era viúva?"
Interno: "er..."
Outro interno: "Sra. A, é casada ou viúva?"
Sra A: "Eu era viúva, mas o marido está alí."
(silêncio comprometedor)
Outro interno: "Aí onde?"
Sra A: "É aquele senhor ali" *aponta para médico com idade para ser neto dela*
(silêncio comprometedor)
O interno sonolento estava de facto correcto porque o suposto marido da sra A ia entrar de urgência comigo e, como tal, não lhe podia dar o devido apoio em casa. Mas não importava muito porque a senhora teve baixa para a psiquiatria...
13 de janeiro de 2012
Ta-daa
Como não sei quanto tempo este blog irá durar, não faço grandes promessas.
Deste lado fala Francisco, sou quase médico, quase independente e sou quase um homem feito. Enquanto passo pelos meus objectivos de vida vou experienciando uma série de acontecimentos, muitos dos quais gostaria de deixar escritos para quem os queira ver, ou para mais tarde recordar.
Siga a aventura!
Deste lado fala Francisco, sou quase médico, quase independente e sou quase um homem feito. Enquanto passo pelos meus objectivos de vida vou experienciando uma série de acontecimentos, muitos dos quais gostaria de deixar escritos para quem os queira ver, ou para mais tarde recordar.
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